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O que realmente sabemos sobre o Zika Vírus?

A Alergoshop foi assunto no site Roteiro Kids.

Leia a matéria completa aqui.

Pela mãe e pediatra Dra. Paolla Limy,

O Zika virus, ao contrário do que muitos pensam, não é originário do Brasil, tampouco uma doença nova.

O primeiro registro de sua existência ocorreu em 1947, em macacos, sendo que, em humanos, foi isolado na África, em 1951. Desde então, ele se espalhou por países do continente africano, passando para ilhas na Oceania (onde ocorreu a primeira epidemia registrada), Europa, até chegar as Américas. O primeiro caso no Brasil foi registrado no início de 2015, no Nordeste.

Entretanto, o Brasil foi o primeiro país a fazer a relação entre a doença causada pelo Zika virus e mal-formacões neurológicas congênitas, sendo a mais visível, a microcefalia, que é quando o cérebro do feto não se desenvolve adequadamente e o perímetro cefálico fica menor do que 32 cm (em bebês nascidos A TERMO).

Isso fez com que, em 1 de fevereiro de 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarasseemergência de saúde pública de importância internacional devido à associação sugerida da infecção pelo Zika virus e os casos de microcefalia e o aumento de casos da Sindrome de Guillain-Barrè. Isso significa que mostrou-se necessária uma ação internacional coordenada para a vigilância e a notificação dos casos de complicações neurológicas,  para o controle dos mosquitos e para o desenvolvimento de testes e vacinas. A OMS não encontrou justificativa para restrições para viagens ou negócios para prevenção do zika virus, mas ressaltou que é necessário o cuidado com gestantes.

OS SINTOMAS

O período de incubação do zika virus não esta bem estabelecido, mas provavelmente não passa de alguns dias. Os sintomas são semelhantes a de outras arboviroses (dengue, chikunguya), incluindo febre, manchas vermelhas pelo corpo, conjuntivite (sem secreção e sem coceira), dores no corpo e nas articulações, mal estar e dor de cabeça. A doença é auto-limitada e dura de 3 a 7 dias.

Não há vacina ou tratamento específico disponível, somente o tratamento dos sintomas, com analgésicos, repouso e hidratação.

A MICROCEFALIA

A microcefalia congênita é uma condição na qual o cérebro do feto não se desenvolve adequadamente, fazendo com que o crânio nasça menor do que o esperado para a idade gestacional. Isso faz com que não haja condições para o desenvolvimento adequado do cérebro, além de já terem sido reportadas outras malformações neurológicas em bebês de mulheres que tiveram o Zika virus.

Também é importante lembrar que existem outras causas de microcefalia congênita, como a infecção congênita pela rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, síndromes genéticas e erros inatos do metabolismo, que são rotineiramente testados em crianças que nascem com microcefalia.

A microcefalia também pode ocorrer em crianças durante o seu crescimento, devido à fusão precoce das suturas craniana ou desnutrição grave.

E OS MENORES DE 7 ANOS?

Embora tenham circulados vários áudios por redes sociais, não há nenhuma evidência cientifica que comprove maior risco de danos neurológicos em crianças. A Síndrome de Guillain-Barrè é uma doença auto-imune que pode acontecer após infecções virais (vírus respiratórios, citomegalovírus, HTLV-1 e HIV), não sendo exclusiva do Zika virus.

COMO PREVENIR?

A recomendação é eliminar o contato com o vetor: evitar o uso de utensílios que possam acumular água e tornar-se criadouro do mosquito Aedes aegypti, usar telas mosquiteiras nas casas, roupas protetoras e repelentes.

Para crianças e gestantes, a Sociedade Brasileira de Dermatologia e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam:

PARA MENORES DE 1 ANO (MAS MAIORES DE 6 MESES): IRRT 3535 30%, com duração média de 4 horas. Comercialmente é a Loção Antimosquito da Johnson’s Baby.

PARA MAIORES DE 2 ANOS:

  • Icaridina, com duração média de 8 a 10 horas. Permitido na concentração de 25%. Comercialmente: Exposis e repelente spray da AlergoShop.

  • DEET, que pode ser usado na concentração de até 10% em maiores de 2 anos. Não deve ser aplicado mais do que 3 vezes por dia em crianças até 12 anos. A maioria dos repelentes encontrados nos mercados e farmácias possui DEET em concentrações de 6 a 9% nas formulações infantis.

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Além disso, recomenda-se o uso de roupas compridas, quando for em locais com alta concentração de mosquitos, evitar perfumes doces, usar roupas brancas (roupas coloridas atraem insetos) e, principalmente, não dormir com o repelente, mas lavar-se antes de deitar.

Mais informações: http://portalsaude.saude.gov.br/

Paolla Limy Alberton, mãe de duas meninas e médica pediatra (CRM 115.853 – RQE 31789), com especialização em Alergia e Imunologia Pediátrica (RQE 31789-1). Realiza atendimentos particulares e a convênios em Campinas-SP (Barão Geraldo e Guanabara), somente ambulatorial. Mantém o blog e fanpage Mamãe Pediatra.
Contato direto: paolla.alberton@gmail.com


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